| Internet e Mentira |
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| Escrito por JF | |
| Tuesday, 05 January 2010 | |
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Internet e Mentira Há pouco tempo fui presenteado com um agradável texto atribuído a Gabriel Garcia Marquez. O dito texto, que reproduzo mais à frente e que merece ser lido, teria sido uma espécie de despedida antecipada de Garcia Marquez, vítima de um cancro linfático. Segundo o que me chegou às mãos (melhor à ponta dos dedos), teria sido o texto tal como foi pela primeira vez publicado no jornal O Globo por Márcio Moreira Alves.Talvez por me encontrar disponível, decidi colocar o pensamento crítico em andamento e procurei na internet se o dito divulgador do texto de Garcia Marquez realmente existia. Na verdade, descobri que Márcio Alves foi um jornalista de O Globo e um ex-deputado e, por isso, a sua existência e a sua ligação ao referido jornal são verdadeiras. O leitor terá reparado na frase anterior que eu escrevi que ele “foi um jornalista”. Efectivamente, o próprio jornal O Globo noticiou que Márcio Alves faleceu no dia 3 de Abril de 2009. Isso, contudo não coloca em causa que tenha sido ele a divulgar o texto de Garcia Marquez, pois essa texto tal como me chegou às mãos não se encontra datado e, portanto, poderia ter sido escrito e divulgado antes da morte de Márcio Alves. Acontece que com mais uma “googladas” encontrei um texto de um suposto jornalista Orlando Maretti que refere que o texto de despedida é falso, porque, diz Maretti:
- Garcia Marquez negou ser autor do texto no jornal El Pais (não consegui confirmar esse desmentido, pois uma busca pelo El Pais não me devolveu esses dados!);- Há uma semelhança de estrutura e conteúdo entre este texto e um texto apócrifo, também ele falso, atribuído a Jorge Luís Borges;- Tem havido pessoas que se apropriam destes texto de carácter emocional de modo a enganar outras pessoas e, além disso, o texto não fazia parte de nenhuma antologia de Marquez;- O facto de Gacia Marquez ser uma marxista, amigo de Fidel Castro, não conotado com a religião e ao mesmo tempo o texto evocar várias vezes Deus.A internet é uma fonte importante de conhecimento, sem dúvida, mas o anonimato a ausência de códigos de conduta moral na forma qualquer pessoa em qualquer parte do planeta se pode apropriar desse meio para lançar boatos e mentiras é um risco que temos que estar dispostos a correr, mas ao mesmo tempo que poderemos e devemos melhorar. Aqui fica, o texto do prémio Nobel que, afinal, não é do prémio Nobel. ˜™ Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mario Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida. Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes – te amo, te amo. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo. –— Mas que será o verdadeiro autor deste texto? Encontrei este interessante testemunho de Maria Elvira Bento, Sintra, Portugal, no seu blog Brumas de Sintra. Talvez o ventríloco merecesse melhor sorte, quem sabe se não perdemos um grande escritor?! Afinal, ele conseguiu tocar no coração de um ser humano, quem sabe se melhor do que o próprio Nobel. Continuará a Maria a revisitar o texto ou deixará de o fazer? “Quando, já há alguns anos (1999), recebi este inesquecível texto por e-mail, chorei como uma Maria Madalena. Achei absolutamente enternecedor e quase divinizei Gabriel García Márquez (Gabo, Gabito), o escritor colombiano, Prémio Nobel da Literatura de 1982. Quanto mais o via e lia (vinha preciosamente ilustrado, apesar do texto ser suportado apenas por uma foto. A melodia, linda e inspirada, ajudava à emoção), perdia-me em lágrimas.Pensei que o escritor ia durar apenas escassos dias e aquele texto era um testamento do Gabo (aos amigos e ao Mundo), disciplinado, sereno, lúcido, onde García Márquez, libertado já do seu individualismo lucidamente, conseguia abraçar o todo universal. Apesar da dor da mensagem havia nela uma harmoniaque conseguia suavizar o meu sofrimento. Lia-a várias vezes durante estes 9 anos. E o ritual repetia-se. Sempre que o fazia, chorava. Cheguei mesmo, durante uns confusos tempos, pensar que Márquez já tinha morrido.Acontece que, hoje, ao navegar por esta janela aberta para o mundo (Net) encontrei algo que me fez ficar, pelo menos pálida. Acabei por chocar com uma página onde li que este texto –Carta Aos Amigos ou A Despedida- não era do famoso escritor colombiano e que o verdadeiro autor era Johnny Welch. La Marioneta, foi o título dado ao poema por este ventríloco que trabalha no México com o seu boneco de nome Mofles.” |
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| Actulizado em ( Tuesday, 05 January 2010 ) |
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