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Dever e obrigação são as denominações que unicamente podemos dar à nossa relação à lei moral

Kant, Crítica da Razão Prática, ed. 70, 98

 
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O que são argumentos? Print E-mail
Escrito por JF   
Thursday, 15 May 2008

Os Argumentos 

Um argumento pode ser considerado um conjunto de afirmações organizadas de tal modo que se pretende que uma delas, designada conclusão, seja suportada por outras, que se designam por premissas. Assim, apresentar um argumento é apresentar uma ou mais razões com a intenção de levar alguém a aceitar uma determinada conclusão.

(i) "Se existir um aquecimento global do planeta, então o número de furacões tenderá a aumentar. De facto está ocorrer o aquecimento global do nosso planeta, pelo que podemos concluir que haverá mais furacões."

A passagem anterior constitui um argumento porque apresenta razões (premissas) que nos levam a aceitar uma dada afirmação (conclusão). A conclusão é "haverá mais furacões " e as razões que suportam essa ideia são "Se existir um aquecimento global no nosso planeta, então o número de furacões tenderá a aumentar" e "está ocorrer um aquecimento global no nosso planeta". Se aceitarmos as razões apresentadas, então temos de aceitar a conclusão. Genericamente é isto que constitui um argumento. Claro que há argumentos simples, como este, e há argumentos muito mais complexos e com variadas formas, mas todos eles partilham uma estrutura comum - apresentam premissas que são usadas como razões para aceitar uma conclusão.

Vejamos outro exemplo.

(ii) "Dado que indústria de aviação é responsável por 6% da emissão de dióxido de carbono, os passageiros de aviões deviam pagar uma taxa ambiental."

Neste caso, a intenção do argumento é levar alguém a aceitar a conclusão "os passageiros de aviões deviam pagar uma taxa ambiental", apresentado uma razão capaz de a apoiar. A razão em causa é uma espécie de justificação racional, neste caso o facto de a indústria de aviação ser responsável pela emissão de 6% de dióxido de carbono para a atmosfera.

Identificar ou construir agumentos implica sabermos distinguir a(s) premissa(s) da conclusão e compreender como é que elas se relacionam logicamente. Isso nem sempre é fácil. Repare-se, por exemplo, que no caso (ii) não existe nenhuma expressão que nos indique que estamos perante uma conclusão, ao passo que no caso (i) existe uma expressão que nos indica com toda a clareza que o texto que se lhe segue é uma conclusão. A expressão em causa é "pelo que podemos concluir que". Assim, se soubermos identificar certas expressões linguísticas talvez se torna mais fácil distinguir num argumento as premissas da conclusão. Algumas dessas expressões designam-se indicadores de conclusão, precisamente porque assinalam a presença de uma conclusão. Outras expressões designam-se indicadores de premissa, porque assinalam a presença de razões ou premissas que apoiam uma conclusão. Eis algumas dessas expressões.

INDICADORES DE CONCLUSÃO: logo , então, por isso, como tal, implica, prova que, consequentemente ...

INDICADORES DE PREMISSA: por causa de, porque, desde que, dado que, as razãoes são, em primeiro lugar, em segundo lugar, resulta do facto de ...

Em resumo, todos os argumentos são constituídos por uma conclusão e uma ou mais premissas que apoiam essa conclusão. Num argumento certas expressões linguísticas indicam a presença de uma conclusão, ao passo que outras expressões linguísticas indicam a presença de uma ou mais premissas. No entanto, muitas vezes essas expressões linguísticas são omitidas, o que dificulta a tarefa de analisar argumentos. Além disso, os argumentos nem sempre apresentam primeiro as premissas e depois a conclusão. Muitas vezes a conclusão aparece no início e só depois são apresentadas as razões que suportam a conclusão. Isto mostra que analisar argumentos pode tornar-se difícil. No entanto temos que ter em conta que saber usar argumentos é fundamental, não apenas por motivos académicos, mas sobretudo porque na nossa vida não podemos prescindir deles. Vejamos alguns dos usos que podemos fazer dos argumentos no dia-a-dia:

1. para confirmar ou justificar novas crenças;
2. tomar decisões;
3. persuadir alguém;
4. provar que algo é correcto ou incorrecto;
5. justificar comportamentos;
6. conseguir acompanhar uma polémica, disputa ou debate;
7. levar alguém a analisar e rever as suas crenças;
8. divertimento!
9. (...)

Assim, mesmo que não tenhamos um interesse directo em aprender a argumentar de um modo muito técnico ou profissional, pelo menos todos temos que aceitar que a argumentação é fundamental na nossa vida.

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Actulizado em ( Monday, 26 May 2008 )
 
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