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Eu sou filósofo. Acredito na razão. Mas aprendi ao longo de uma vida de ensino e pesquisa universitários que até mesmo as pessoas mais inteligentes dificilmente são mudadas apenas pela força da razão - e isso sucede até mesmo nos meios mais intelectuais. Um dos maiores sábios da era pós-guerra, John von Neumann, costumava dizer, com sarcasmo, na «matemática não percebemos as coisas, apenas nos habituamos a elas»."

KWAME ANTHONY APPIAH, Cosmopolitismo: ética num mundo de estranhos, p.92

 
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O Marxismo e o Dinheiro
Escrito por JF   
Tuesday, 27 April 2010

O Marxismo e o Dinheiro 

O dinheiro, na medida em que possui a qualidade de tudo comprar, na medida em que possui a qualidade de se apropriar de todos os objectos, é portanto, o objecto como possessão eminente. A universalidade da sua qualidade é a omnipotência do seu ser; por isso ele vale como ser omnipotente.... O dinheiro é o alcoviteiro entre a necessidade e o objecto, entre a vida e o meio de vida do homem. Mas o que me medeia a minha vida, medeia-me também existência do outro homem para mim. É para mim o outro homem. […]

Shakespeare descreve acertadamente a essência do dinheiro. Para o entender, comecemos antes de mais com a explicação da passagem goethiana.

Actulizado em ( Tuesday, 27 April 2010 )
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Goldman Sachs e justiça social
Escrito por JF   
Tuesday, 27 April 2010

Poder político e poder económico: o caso Goldman Sachs

Há quem comece a considerar uma urgência fundamental a separação do poder político do poder económico. Isto significa que, tal como sucedeu historicamente face às ligações entre religião e política, deveria suceder em relação ao poder económico.

Acontece que acabei de assistir ao vivo ao inquérito do senado à Goldman Sachs, no sentido de avaliar se a referida empresa que beneficiou de uma ajuda substancial do governo americano, ou seja, do dinheiro dos seus contribuintes, abusou da sua posição tendo em conta os lucro gerados em plena crise. Nesse inquérito MR. Swenson (Managing Director - Structured Products Group Trading da Goldman Sachs) e outros membros da Goldman Sachs foram interrogados de uma forma rigorosa por Coburn. Há duas a tirar desse inquérito ao vivo:

 

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Os bancos e o capital
Escrito por JF   
Thursday, 22 April 2010
Os bancos e o capital

As crises por vezes são geradoras de oportunidades, diz-se. No entanto, quem o diz, costuma referir-se a oportunidades para alguns aumentarem os seus lucros ou criarem novas oportunidades de negócio em situações de catástrofe, guerra ou desorientação. A crise que actualmente estamos a viver, trouxe, contudo, oportunidades aos próprios governos para, embora a ideia pareça estranha, legitimar a sua actuação sobre grupos dominantes nas sociedades, nomeadamente bancos, seguradoras e instituições de investimento e gestão do lucro. E a ideia é estranha apenas no sentido em que tradicionalmente os estados representavam o supremo poder instituído na vida humana, obviamente, para além do poder divino e sobrenatural, não tendo que prestar contas a pequenas minorias poderosas. Acontece, no entanto, que os estados se tornaram de tal modo anémicos e frágeis (o que não significa pequenos) que os seus principais agentes se tornaram ou pessoas incapazes de ter uma perspectiva de poder e autoridade, eles próprios personagens minúsculas e sem volume, como aqueles personagens mal estruturados e peliculares dos romances de um iniciado na literatura, ou simples insufláveis manipuláveis e atados a outras forças que os ultrapassavam. O sintoma dessa doença é o facto de praticamente hoje não termos chefes de estados capazes de tomar decisões difíceis e que vão embalando as massas com pequenas comédias ou divertimentos fúteis que conduzem ao adormecimento e ao progressivo desinteresse pela coisa pública.

A oportunidade está, pois lançada, para se avançar num novo sentido, revitalizando o estado, fazendo regressar ao seu sentido originário, insuflando-lhe rectidão de princípios e afastando de uma situação de acrasia dormente, apesar das ameaças perturbadoras e descaradas, de um ponto de vista moral, dos grandes mecanismos de poder financeiro, pois como refere o professor de economia Jeffrey Sachs, da Columbia University em Nova Iorque, Wall Street teve o ano mais lucrativo de sua história. Fez lucros de 55 milhares de milhões de dólares, a meio da maior crise desde a Grande Depressão, graças aos resgates dos contribuintes e ao facto dos bancos usufruírem da política de juros zero, o que permite que eles se riam com os bolsos cheios do nosso dinheiro. Jeffrey defende, por isso, o imposto do Robin dos Bosques (Robin Hood tax).

Talvez estas ideias possam ser perseguidas pelos nossos políticos e isso contribua, ao mesmo tempo, para que as pessoas confiem de novo na autoridade do estado. Como é fácil de compreender, a autoridade de um estado não resulta da quantidade de polícias ou armamento nuclear que possui, nem da capacidade de afrontamento violento ou da sua agressividade económica, mas antes de um carácter moral e humano exemplar, levantando com dignidade a bandeira da justiça e da distribuição equitativa dos bens e da felicidade dos seus cidadãos. Seria, por isso, oportuno que se desmantelassem todas as ignóbeis e plásticas agências de rating, paraísos fiscais e entidades similares que fazem mais mal ao mundo do que bem, bem como a jogatina financeira descontrolada a funcionar à margem da lei e sem qualquer controlo por parte do cidadão comum, e se construa um índice de felicidade interna dos países.

Obama, por exemplo, deu alguns sinais positivos nesse sentido ao assumir uma nova atitude face às armas nucleares ou ao impulsionar a ideia de que é necessário regular o sistema bancário e financeiro internacional. Ideia que parece colher frutos junto da maioria dos países do G20 e que reunirá no Canadá brevemente. Esperemos que estas oportunidades sejam verdadeiras aproveitadas e que no fim não fique tudo como estava, como auguram os mais pessimistas, dada a dificuldade de, num mundo global, aplicar as mesmas regras a todo o planeta.

Consultado: http://www.guardian.co.uk

 

Actulizado em ( Thursday, 22 April 2010 )
 
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